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Por dentro da pesquisa científica: entrevista com o pesquisador Dr. Bruno Solano

Você já quis fazer alguma pergunta para orientadores e alunos de iniciação e pós-graduação?


Entrevistei integrantes do CBTC (Centro de Biotecnologia e Terapia Celular) e do Gurgel Lab, que são associados ao IDOR (Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino).


Vamos conhecer agora o Dr. Bruno Solano de Freitas Souza. Médico pela Universidade Federal da Bahia, com mestrado em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa pela Fiocruz, doutorado em Patologia Humana pela Universidade Federal da Bahia e MBA na área de gestão em saúde pela Fundação Getúlio Vargas. Atualmente é pesquisador em Saúde Pública no Instituto Gonçalo Moniz (Fiocruz-BA) e no Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), médico coordenador e responsável técnico do Centro de Biotecnologia e Terapia Celular do Hospital São Rafael. 



É possível conhecer mais sobre a carreira do Dr. Bruno através do seu currículo: http://lattes.cnpq.br/3155518246787239 



1. O que te fez escolher sua área de pesquisa?

R: Sempre me interessei pela interface entre ciência básica e aplicação clínica. A possibilidade de transformar descobertas em soluções terapêuticas concretas me atraiu desde o início. Ao longo da minha formação médica, percebi o potencial das terapias celulares e gênicas, especialmente em doenças sem alternativas eficazes. Isso me motivou a direcionar minha carreira para a pesquisa translacional, com foco em terapias avançadas e doenças do neurodesenvolvimento.


2. Quais qualificações/oportunidades foram decisivas para sua trajetória até chegar onde está hoje? (ex. bom desempenho acadêmico; atividades extracurriculares; cursos; oportunidades no exterior). Olhando para trás, faria algo diferente?

R: Alguns fatores foram decisivos: a curiosidade constante, o bom desempenho acadêmico e a busca por oportunidades além da sala de aula, como estágios e iniciação científica. As experiências no exterior, especialmente no San Raffaele Scientific Institute (Milão) e no Innovative Genomics Institute da UC Berkeley, ampliaram minha visão sobre inovação e colaboração internacional. Se eu pudesse voltar atrás, talvez teria buscado ainda mais cedo um ambiente multidisciplinar para desenvolver projetos com maior impacto social.


3. O que você busca em um aluno de pós-graduação para orientá-lo?

R: Busco alguém com iniciativa, curiosidade científica genuína e compromisso com o processo de aprendizado. Mais do que habilidades técnicas, valorizo a abertura ao diálogo, resiliência diante dos desafios e disposição para colaborar em equipe. A ciência é feita de pessoas, e um bom ambiente depende de empatia, responsabilidade e ética.


4. Quais os maiores desafios e recompensas de ser orientador?

R: O maior desafio é equilibrar a supervisão técnica com o apoio humano. Cada aluno é único, e é preciso ajustar o ritmo e a abordagem para que ele se desenvolva com autonomia. A maior recompensa, sem dúvida, é testemunhar esse crescimento – ver um aluno inseguro se tornar um pesquisador confiante, dono de suas ideias e projetos. É uma construção mútua e transformadora.


5. Como você vê a relação entre alunos e orientadores e o que poderia ser melhorado? 

R: A relação entre orientadores e alunos deve ser baseada em confiança, respeito mútuo e diálogo constante. No entanto, ainda há desafios, como a falta de preparo formal para o papel de orientação, tanto por parte dos docentes quanto dos discentes. Acredito que precisamos avançar na capacitação para a orientação acadêmica, estabelecer expectativas claras desde o início e criar canais de escuta ativa dentro dos programas. Uma cultura de cuidado e corresponsabilidade é fundamental para a formação integral de novos pesquisadores.


6. Como você avalia a situação da ciência e da pesquisa no Brasil e quais mudanças são necessárias para fortalecer a pesquisa?

R: A ciência no Brasil é resiliente, mas sofre com instabilidade crônica de financiamento, burocracia excessiva e desvalorização institucional. Para fortalecer a pesquisa, precisamos de políticas de Estado, com financiamento contínuo e previsível, valorização da carreira científica, e incentivo à inovação em sinergia com a sociedade e o setor produtivo. Além disso, é essencial promover a internacionalização, a inclusão de grupos sub-representados e o investimento em infraestrutura de ponta, especialmente nas regiões historicamente desfavorecidas.


7. Qual foi o momento mais marcante da sua carreira como pesquisador(a) e qual conselho você daria a quem quer seguir na pesquisa?

R: Um dos momentos mais marcantes foi ver uma ideia sair do papel e chegar ao estágio de um ensaio clínico – foi quando entendi, de forma concreta, o impacto que a ciência pode ter na vida das pessoas. Meu conselho para quem quer seguir na pesquisa é: cultive a curiosidade, tenha coragem para errar e resiliência para continuar. Ciência é paixão e persistência, mas também é feita em rede – ninguém faz nada sozinho. Escolha bem com quem caminhar.


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