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Por dentro da pesquisa científica: entrevista com o aluno de doutorado Leonardo Siquara

Você já quis fazer alguma pergunta para orientadores e alunos de iniciação e pós-graduação?


Entrevistei integrantes do CBTC (Centro de Biotecnologia e Terapia Celular) e do Gurgel Lab, que são associados ao IDOR (Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino).


Vamos conhecer agora o Leonardo de Oliveira Siquara da Rocha, cirurgião-dentista e doutorando em Patologia Experimental pela FIOCRUZ-Bahia/UFBA em parceria com o Centro de Biotecnologia e Terapia Celular no Hospital São Rafael da Rede D'Or.


É possível conhecer mais sobre a carreira do Leonardo através do seu currículo: http://lattes.cnpq.br/0318020734497545


1. Leonardo, quais eram seus planos no início da graduação e o que te motivou a seguir no caminho da pesquisa e pesquisar essa área?

R: No início da graduação em odontologia, eu planejava ir para a clínica e imaginava que seria cirurgião. Nos primeiros semestres, me interessei pelo estudo das disciplinas básicas de patologia, histologia e bioquímica. Logo entrei na iniciação científica e nunca mais saí da área acadêmica.


2. Você pode explicar sua pesquisa/seu trabalho de forma simples para quem não é da área? Qual o impacto que ela pode ter na ciência ou na sociedade?

R: Eu estudo como as células do câncer interagem umas com as outras e com o ambiente em volta delas, e como essas interações afetam o comportamento do tumor, impactando a sobrevivência do paciente e os resultados do tratamento. A minha pesquisa é laboratorial, mas tem um impacto "translacional", ou seja, potencialmente ajuda no aprimoramento do tratamento dos pacientes.


3. Como você lida com frustrações na pesquisa, como experimentos que não dão certo?

R: Bastante resiliência! Um experimento ou atividade que não dá certo nos deixa frustrado inevitavelmente, mas é preciso ter paciência para recomeçar e flexibilidade para encontrar soluções e alternativas. Quando um experimento dá errado, é normal ficar aborrecido. Aí é preciso esfriar a cabeça, tirar um tempo para processar e pensar em soluções, respirar fundo e pensar nos próximos passos. Fazer ciência é sobre isso!


4. Como você lida com a pressão acadêmica? (prazo de artigos, expectativas profissionais, falta de financiamento, competitividade do mercado, etc.)

R: Às vezes, a pressão de fazer ciência ocupa a minha cabeça. Tenho medos e preocupações como todo pesquisador/estudante: será que terei as oportunidades que sonho? Será que o trabalho que eu estou realizando tem alguma relevância? Será que terei recursos e tempo para realizar meus objetivos de estudo? Será que vou conseguir publicar esse ou aquele material? No entanto, não me deixo ficar muito tempo pensando nisso. Entendo que a maioria dessas coisas não está totalmente sob o nosso controle. O único caminho é dar os passos que estão à sua frente, fazer sua parte, aproveitar as oportunidades que surgem e dar o melhor de si, confiando que esses ingredientes serão suficientes para o sucesso, ou pelo menos para que você possa se orgulhar do que fez, independente do resultado.


5. O que mudou na sua visão sobre pesquisa desde que entrou na pós-graduação?

R: Acho que ainda tenho muito o que amadurecer na minha visão sobre a pesquisa, mas, desde que comecei na área acadêmica, passei a enxergar a pesquisa como uma grande responsabilidade. O nosso trabalho tem um potencial incrível de transformação da sociedade, da saúde pública, da vida das pessoas. Isso requer dedicação e seriedade na execução do nosso trabalho, proatividade e iniciativa de ir além do mínimo, sensatez no uso dos recursos que temos, assim como compreensão e compaixão pelas nossas limitações. Encarar essa responsabilidade também não nos torna super-heróis - continuamos sendo seres humanos!


6. Que conselho você daria para quem quer seguir uma pós-graduação?

R: Busque conhecer os desdobramentos possíveis da sua escolha. Fazer pós-graduação pode ser extremamente realizador e gratificante, mas não é sem sacrifícios. É importante se conhecer bem, tentar entender quais são os nossos sonhos pessoais e profissionais (metas, objetivos), assim como saber qual é a vida que queremos ter, e se estamos dispostos a encarar o desafio. O retorno financeiro muitas vezes demora mais do que gostaríamos, mas o retorno pessoal, para o nosso crescimento e para o desenvolvimento da sociedade, é garantido.



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