Por dentro da pesquisa científica: entrevista com a aluna de iniciação científica Natalie Silva Romeu
Você já quis fazer alguma pergunta para orientadores e alunos de iniciação e pós-graduação?
Entrevistei integrantes do CBTC (Centro de Biotecnologia e Terapia Celular) e do Gurgel Lab, que são associados ao IDOR (Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino).
Vamos conhecer agora a Natalie Silva Romeu, graduanda em biotecnologia e aluna de iniciação científica do grupo Gurgel Lab.
É possível conhecer mais sobre a carreira da Natalie através do seu currículo: http://lattes.cnpq.br/5160861810037169
1. Natalie, quais eram seus planos no início da graduação e o que te motivou a seguir no caminho da pesquisa e pesquisar essa área?
R: No início da minha graduação me interessava pela área de ambiental e vi o IC como uma forma de explorar e ganhar experiência nessa área e descobrir se era para mim, com o objetivo de eventualmente me profissionalizar e ir para o mercado. Não me identifiquei com a área de ambiental e fui para a saúde, onde me interessei mais não só pela área mas pela pesquisa em si.
2. Você pode explicar sua pesquisa/seu trabalho de forma simples para quem não é da área? Qual o impacto que ela pode ter na ciência ou na sociedade?
R: Meu projeto de pesquisa envolve a caracterização de vesículas extracelulares de fibroblastos associados ao câncer de boca (CAF). As CAFs são importantes pois são o tipo celular mais abundante do microambiente tumoral, que representa a região em torno do tumor. Por isso, é essencial elucidar como esse tipo celular se comunica com outras células, inclusive as células tumorais. As vesículas celulares são fundamentais para esse processo, elas permitem a comunicação celular pelo transporte de moléculas no interior de vesículas de uma célula para outra. Com isso, as vesículas são responsáveis por promover os mecanismos do câncer como, por exemplo, a metástase. Logo, são promissoras para o diagnóstico do câncer de boca e podem eventualmente ser aproveitadas para o transporte de fármacos anticâncer.
3. Como você lida com frustrações na pesquisa, como experimentos que não dão certo?
R: Primeiro, revejo o protocolo. Tento identificar qual etapa, ao ser mal executada, poderia ser a causa do erro. Analiso se era um resultado negativo não esperado ou realmente um erro. Tento me atentar e minimizar as variáveis durante o experimento. Refaço o planejamento experimental. Por fim, repito o protocolo.
4. Como você lida com a pressão acadêmica? (prazo de artigos, expectativas profissionais, falta de financiamento, competitividade do mercado, etc.)
R: Tento entender o que está e não está sob meu controle. Posso controlar a minha organização para cumprir os prazos devidamente. Em relação a saturação do mercado, tento sempre ir atrás de oportunidades e planejar me especializar para me tornar uma melhor profissional.
5. O que mudou na sua visão sobre pesquisa desde que entrou na IC/pós-graduação?
R: Me surpreendi com o fato de ser mais um trabalho criativo, que exige a sua adaptabilidade, e não sempre que você seja o especialista do assunto.
6. Que conselho você daria para quem quer seguir uma pós-graduação?
R: Antes de decidir em que se especializar defina primeiro seus objetivos, para depois pesquisar qual pós-graduação se adequa mais.
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